Sunday, December 24, 2006

Tuesday, December 19, 2006

Das Ex-namoradas

Odeio-as! A maior parte nem as conheço, mas odeio-as na mesma. São gente que não interessa, ou como diz o Simão Rubim da peça "As Obras Completas de William Shakspeare em 97 minutos", são povo ordinário!

Quem diz que gosta delas, mente. E quem diz que nunca pensa nelas e não lhes dá importancia nenhuma, mente a dobrar!

Claro que não estou constantemente a odiá-las, até porque tenho uma casa para arrumar e duas gatas para alimentar, mas de quando em vez, assim pela tardinha, gosto de tirar uns minutos para as odiar. Acho que é o que se chama de ódio de estimação!

Faz-me falta é umas bonecadas de voodoo para ir espetando alfinetes aos bocadinhos. Mas tinham que ser umas agulhas especiais, assim do tipo que provocassem celulite nas pernas, olheiras fundas e borbulhas com pus no rabo. Quiçá em momentos de extremo aborrecimento, uma hemórroida ou outra!

Enfim, há que admitir que eu própria também sou ex-namorada de alguém, mas como o blog é meu, considero-me completamente excluída do género que acabei de descrever.

Sou ex-namorada sim senhor, mas continuo a ter muita pinta!


Faço minhas as palavras da Mia (aqui)

window in the skies

Thursday, December 14, 2006

Finally...

Here is a song from the wrong side of town
Where Im bound to the ground by the loneliest sound
And it pounds from within and is pinning me down

Here is a page from the emptiest stage
A cage or the heaviest cross ever made
A gauge of the deadliest trap ever laid

And I thank you for bringing me here
For showing me home
For singing these tears
Finally Ive found that I belong here

The heat and the sickliest sweet smelling sheets
That cling to the backs of my knees and my feet
Well Im drowning in time to a desperate beat

And I thank you for bringing me here
For showing me home
For singing these tears
Finally Ive found that I belong

Feels like home
I should have known
From my first breath

God send the only true friend I call mine
Pretend that Ill make amends the next time
Befriend the glorious end of the line

And I thank you for bringing me here
For showing me home
For singing these tears
Finally Ive found that I belong here

Depeche Mode

Thursday, December 07, 2006

Tuesday, December 05, 2006

Casino de Lisboa - parte II

Casino de Lisboa - parte I

Agarras-te à hora
Em que o tempo não passou

Mergulhas nas cores
Que a loucura te emprestou
E quando te vês para lá do espelho
Encontras a solidão

Descobres o Mundo
De quem tem pouco a perder

E sobes às estrelas
Que ontem não podias ver
E perdes o medo de estar só
No meio do multidão

Tradições
Atrás de contradições
Fizeram-te abrir os olhos
Podes dizer:
Eu... sou


Friday, December 01, 2006

SIDA: 1/4 de século depois


Só há um momento, em toda a conversa, em que o olhar estremece. "Quando nasceu a minha primeira neta fui ao hospital e a minha nora disse: 'Pegue lá na sua neta.' Desatei logo a chorar. Tinha muito medo que não me deixassem mexer nos meus netos, tratá-los. Tenho paixão por crianças, sabe?"

Ana teve sorte, acha. Com os filhos, bem entendido. Quando há cinco anos e quatro meses - ela sabe de cor - descobriu o diagnóstico, os dois rapazes, na casa dos trinta anos, "ficaram muito revoltados". Disseram-lhe para deixar o pai. "Ele não é digno de que estejas com ele, repetiam. O mais novo até quis deixar de lhe falar, mas eu não deixei. É o pai dele, deve-lhe a vida. Ainda hoje tem grande relutância em falar com ele, mas consegui que não cortassem relações." E ela ficou. "Ele é diabético, depende de mim para tudo, para orientação, para medicação. O mal está feito. Se o deixo é matá-lo. Lentamente mas mato-o. Tenho muita fé, pedi a Deus coragem e luz suficiente para aguentar este pesadelo. Também pedi para o meu marido. Ele é católico como eu."


Não sabe de quando data a infecção. Só sabe que quando há cinco anos mais os tais quatro meses estava de férias no Alentejo come-çou com febres altas que não passavam. Foi ao hospital, fizeram-lhe análises e mandaram-na tomar aspirina e consultar o médico de família. Resolveu antes "ir para a terra", a ver se a mudança de ares funcionava. "Encontrei lá um doutor amigo e ele examinou-me, apalpou-me debaixo dos braços e nas virilhas e escreveu uma carta à minha médica de família. Disse-me: 'Espero que não seja o que eu estou a pensar'." Era. "A médica disse que era preciso fazer análises a tudo e perguntou-me se não me importava de fazer as do HIV também. E acusou. Depois disse-me que ficou um fim-de-semana inteiro às voltas sem saber como me dizer. Quando finalmente me deu a notícia fiquei em choque. Até que ela disse: 'Está a olhar para mim e não diz nada?' Aí desatei num pranto."


A seguir, mandou chamar o marido. "Só lhe disse: estragaste a tua vida e a da tua mulher. E ele: 'O que é que eu fiz? É impossível." O rosto de Ana segura-se na dureza para não derrapar. "Vê bem com quem andaste", respondi-lhe. Sabe que ele nunca me pediu perdão? Nunca directamente. Até negou, nos primeiros dias. Depois já não dizia que sim nem que não. Não aceita conversação sobre isso." Suspira. O seu grande anseio, confessa, é que o marido fosse franco com ela." Mas não consegue olhar para mim cara a cara. Às vezes apetece-me falar, desabafar, e não consigo, não com ele."


Raiva? "Antes era uma pessoa muito submissa. Depois fiquei muito revoltada. Ainda hoje tomo comprimidos para dormir. Sou forte, mas há dias em que me vou abaixo. E há uma coisa que não consigo mais, é ter relações sexuais com ele. Ainda consegui um ano mas depois acabou. Disse-lhe que para sofrer, não. Faz da tua vida o que quiseres, desse ponto de vista." Se fumasse, Ana escolheria este momento para puxar o fumo, devagar. Em vez disso, olha, olha sempre, a direito. "Ele foi infiel muitas vezes e eu sabia. Temos uma intuição, não é? Naqueles dias em que ele nem me deixava dar-lhe um beijo, rejeitava-me, percebia logo que se passava alguma coisa. E no início, depois de ter o meu primeiro filho, ele saiu de casa durante um mês. Tive um esgotamento nervoso, fiquei toda partida por dentro. Uma vizinha viu-me naquele estado e disse-me: 'Quando ele voltar, nunca lhe pergunte por onde ele andou. Dói muito, mas tem de ser'."


Tinha de ser? "Nunca pensei que fosse possível fazê-lo mudar, confrontá-lo. Entreguei-me menina a ele, com 19 anos. Nunca tive outro homem. Nem sei se queria ter tido, o amor por ele é muito grande." Ainda? "Ainda." E ele, ama-a? "A mim não me diz, nunca. Mas diz a outras pessoas que é a coisa que mais adora." Suspira, faz silêncio. "Às vezes acho que não, que está comigo porque precisa de mim."

by Fernanda Câncio
in DN